sábado, 24 de janeiro de 2009

Yanomami e nós


Ter de resistir à dor.
Sem comprender por que a dor.
Ter de suportar viver a dor.
E sem merecer a dor.

Se é esse o meu destino, quem é o algoz que o traçou.
Quem me contaminou.
Quem me doou a dor.

Homem não existe para ser só animal.
A sua história é mais que corporal.
Abre o sentido para ter, a liberdade.
Com todo mundo que é seu igual,
e solidário.
Pensará...
Amará...
Sonhará...
Saberá...
Que a felicidade da cidade não tem que o mato matar.

Ai a dor vai nos unir,
O fim da dor começa é assim,
É o filho que não para de crescer,
A fruta que vai madurar,
Aquela mão, aquela paz, morena, é aquele olhar
Que é sempre, verde verdejá
É aquele gesto humano,
É aquela voz humana,
É aquele amor humano, que chega e diz que vai ficar.
Milton Nascimento

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

Txai

Txai é fortaleza que não cai.
Mesmo se um dia a gente sai,
fica no peito essa flor.

Txai, este pedaço em meu ser.
Tua presença vai bater
e vamos ser um só.

Lá onde tudo é
e apareceu como a beleza que o sol te deu
é tarde longe também sou eu.


Txai, a tua seta viajou,
chamou o tempo e parou
dentro de todos nós.

Já vai, ia levando o meu amor
para molhar teus olhos
e fazer tudo bem,
te desejar como o vento,
porque a tarde cai.
Txai é quando sou o teu igual,
dou o que tenho de melhor
e guardo teu sinal.

Lá onde a saudade vem contar
tantas lembranças numa só,
todas metades, todos inteiros,
todos se chamam txai.

Tudo se chama nuvem,
tudo se chama rio,
tudo que vai nascer.

Txai, onde achei coragem
de ser metade todo teu,
outra metade eu
porque a tarde cai
e dona lua vai chegar
com sua noite longa,
ser para sempre txai.
Márcio Borges e Milton Nascimento
(Txai: "Mais que amigo, mais que irmão.
A metade de mim que existe em você
é metade de você que habita em mim.")

Desabafe...

No barco...