segunda-feira, 6 de abril de 2009

Jeito de amar...


Uma personagem põe-se a lembrar da mãe, que era danada de braba, mas esmerava-se na hora de fazer dois molhos de cachinhos no cabelo da filha, para que ela fosse bonita pra escola.

"Meu Deus, quanto jeito que tem de ter amor".

É comovente porque é algo que a gente esquece: milhões de pequenos gestos são maneiras de amar. Beijos e abraços são provas mais eloqüentes, exigem retribuição física, são facilidades do corpo.

Porém há diversos outras demonstrações mais sutis.

Mexer no cabelo, pentear os cabelos, tal como aquela mãe e aquela filha, tal como namorados fazem, tal comotanta gente faz: cafunés. Amigas colorindo o cabelo da outra, cortando franjas, puxando rabos de cavalo, rindo soltas.

Quanto jeito que há de amar!

Flores colhidas na calçada, flores compradas, flores feitas de papel, desenhadas, entregues em datas nada especiais: "lembrei de você". É este o único e melhor motivo para azaléias, margaridas, violetinhas.

Quanto jeito que há de amar!

Um telefonema pra saber da saúde, uma oferta de carona, um elogio, um livro emprestado, uma carta respondida, uma mensagem pelo celular, repartir o que se tem, cuidados para não magoar, dizer a verdade quando ela é salutar, e mentir, sim, com carinho, sefor para evitar feridas e dores desnecessárias.

Quanto jeito que há de amar!

Uma foto mantida ao alcance dos olhos, uma lembrança bem guardada, fazer o prato predileto de alguém e botar uma mesa bonita, levar o cachorro pra passear, chamar pra ver a lua, dar banho em quem não conseguefazê-lo só, ouvir os velhos, ouvir as crianças, ouvir os amigos, ouvir os parentes, ouvir.

Quanto jeito que há de amar!

Rezar por alguém, vestir roupa nova pra homenagear,trocar curativos, tirar pra dançar, não espalhar segredos, puxar o cobertor caído, cobrir, visitar doentes, velar, sugerir cidades, filmes, cds, brinquedos, brincar...

Quanto jeito que há!
Adélia Prado

quinta-feira, 19 de março de 2009

Once, un ami imaginaire d'un papillon

Algumas vezes escutei que não existo...
Até aí tudo bem... "normal"...
Já havia me acostumado...
A quem nunca foi dito isto?

Mas esta semana me surpreendi: ouvi que talvez fosse "uma amiga imaginária"!

Pois bem...fiquei pensando... Será que não é neste campo que habitam os amigos? Ou melhor, os Amigos... Não qualquer um... Mas aqueles especiais... Que de tão Amigos são quase parte de nós mesmos...

Talvez seja isso!...
É uma parte de nós mesmo que nosso imaginário resolve trazer à vida...
Cria uma forma, uma aparência, um corpo, uma matéria...
Pronto: formou-se um Amigo Verdadeiro!...

É por isso que algumas amizades nos parecem ir bem ao fundo de nós, como saídas de nossas entranhas para nos mostrar algo que somos e não sbemos, ou não acreditamos, fingimos não saber...

Vem um "monstro criativo" interno que acaba por nos revelar a nós mesmos... Colocando no singular e em outras palavras...
Veio meu sbconsciente maluco gerar em meu ventre uma parte de mim mesma que eu não conhecia...

Precisava saber umas verdades ocultas. Saber da criatividade, da reciprocidade, da fortaleza na fragilidade...
E de algumas outras coisas que ainda descobrirei... Ou que perceberei que descobri!

O mais importante?
Importante mesmo é que, sendo real ou imaginário (ou as duas coisas? Transitamos nos dois mundos mesmo...), Amigo é sempre Amigo...
É alguém com quem contamos e que nos pega "de calças nas mãos" ao nos revelar aquilo que, por medo ou simples ignorância, relutávamos em saber...

Agradeço aos meus amigos imaginários por co-existirem comigo, transformando-nos em reais e, sendo eu parte de todos e cada um parte de mim, fazem-me ver o quanto vale a pena viver e...
Sentir(-se) Amiga!

Desabafe...

No barco...